17 de fevereiro de 2018

Mudar em paz

"Quando a gente muda de verdade, muda em silêncio, muda em paz." - JL Amaral

Em um mundo onde tudo o que acontece nas nossas vidas é divulgado e compartilhado, nessa nossa mania de querer que os outros vejam e aprovem nossos comportamentos, existe algo que deveria ser só nosso, de mais ninguém: nossas metamorfoses pessoais. Aqueles doloridos e longos processos que passamos quando estamos caminhando para nos tornar indivíduos melhores em diversos sentidos. São momentos de reflexão, de olhar para dentro de si e buscar forças para mudar aquilo que deve ser mudado, e ao mesmo tempo, manter nossa essência, o que somos de verdade. Assim, não há motivos para fazer um escarcéu sobre isso nas redes sociais, pois durante esta fase, você é a sua melhor companhia e sabe exatamente o que precisa, e não as outras pessoas, que tentarão te dizer o que é certo e o que é errado baseado em suas próprias experiências. 

Percebam que eu estou batendo bastante na tecla de metamorfoses. É que isso diz muito sobre a fase que eu estou passando. Além do mais, eu acho linda a capacidade dos seres humanos de mudar de acordo com o que lhes é exigido pela vida. Acredito que quem é resistente a este tipo de transformação não sabe o que está perdendo. É difícil, mas ao mesmo tempo muito gratificante olhar para trás e ver que conseguimos nos tornar uma versão melhor de nós mesmos, e que está evolução continua acontecendo. Tudo com calma, na paz do nosso silêncio interno, para que os exageros do mundo não influenciem este momento e te levem para um caminho que não é o seu. 
14 de fevereiro de 2018

Fotos: Festival of Fantasy Parade (de novo!)



Há dois anos, fiz um post aqui com algumas das minhas fotos favoritas que eu tirei da Festival of Fantasy Parade, que acontece todos os dias no Magic Kingdom, em Orlando, às 15h. Este ano, fui de novo para um dos meus lugares favoritos do mundo, e não pude deixar de tirar mais algumas - sou DOIDA por essa Parade! Dessa vez, queria compartilhar em um formato diferente, e dividi as imagens de acordo com a ordem em que os "blocos" vão aparecendo. Espero que gostem! 


Fotos: Ana Luísa de Oliveira
Fotos: Ana Luísa de Oliveira
Fotos: Ana Luísa de Oliveira
Fotos: Ana Luísa de Oliveira
Fotos: Ana Luísa de Oliveira
Fotos: Ana Luísa de Oliveira
Fotos: Ana Luísa de Oliveira
Fotos: Ana Luísa de Oliveira
Fotos: Ana Luísa de Oliveira

12 de fevereiro de 2018

Voa, borboleta!


Borboletas. Insetos da ordem Lepidoptera, de corpo mole e com diversas estruturas sensoriais. Símbolos da transformação. Da inconstância. Da efemeridade. Do renascimento. Mensageiros espirituais. Lembretes alados sobre a fugacidade do existir. Pontinhos que colorem os jardins. Delicadas belezas da natureza. Recordações sobre como é não só possível, como essencial atravessar os obstáculos - sem eles, o mundo seria repleto de lagartas. 

Uma criaturinha, diversos significados e outras tantas interpretações. Para mim, uma companhia eterna, pousada nas minhas costas para não me deixar esquecer da importância das inúmeras metamorfoses que a vida ainda vai exigir de mim - e de não ter medo de passar por nenhuma delas. Afinal, são os momentos de mudanças que fortalecem nossas asas para conseguirmos alcançar voos mais longos e complexos. 

Simples e, arrisco dizer, um tanto clichê. Mas um clichê que nunca fez tanto sentido para mim, e que eu vou carregar comigo para sempre. 
9 de fevereiro de 2018

Beleza das coisas

"A beleza das coisas existe no espírito de quem as contempla". - David Hume 


Tempos atrás, minha irmã ganhou de presente da minha avó um girassol. É a flor favorita dela e a minha também. Quando eu cheguei na sala e vi toda aquela boniteza amarela, na mesma hora meu dia ficou mais iluminado. Talvez eu seja considerada meio tontinha por achar qualquer motivo pra ser feliz. Mas essa sensação de alegria que me domina quando me deparo com algo tão lindo é uma das coisas que dão sentido a minha vida. Porque é um dos meus valores mais preciosos, que veio ao mundo comigo e eu tenho orgulho de cultivar todos os dias. 

Se você não nasceu, digamos, boba alegre igual eu, não se preocupe: é algo que dá para desenvolver facilmente. Basta abrir seus olhos, da forma mais lírica possível, para as belezas que a vida esconde por aí - de propósito, pois o que ela quer é que apenas os que tem força de vontade consigam enxergá-las. 

Quer uma ajuda? Vamos lá. Garanto que, ao sair de casa hoje, você se deparou com flores coloridas. Não precisam ser girassóis, podem ser aquelas bem tradicionais, que dão em qualquer jardim.  A verdade é que, de tão comuns, ninguém repara nelas. Mas se você prestar atenção, vai perceber o quanto são lindas de jeitos diferentes. Nada de flores? Olhe para o céu. Que tal tentar encontrar formas imaginárias nas nuvens, ou identificar as constelações nas estrelas?

Também tenho certeza que você foi testemunha de algum gesto de gentileza. Um motorista abrindo a janela do carro para doar dinheiro para os pedintes do semáforo. Uma pessoa segurando a porta para a outra passar. Um sorriso seguido de um "obrigado". Alguém que derrubou um monte de coisas no chão e um desconhecido se abaixou pra ajudar. Quer coisas mais bonitas de se ver?

Ah, sem contar as pequenas alegrias que fazem um dia valer a pena. Uma criança correndo para abraçar a mãe. Um carinho entre dois namorados. Um grupo de amigos dando risada juntos. Um elogio sincero. Um abraço demorado. Até mesmo uma selfie para marcar um momento gostoso. 

Observe, viva, admire. A beleza das coisas está na nossa capacidade de conseguir encontrá-las nos lugares menos prováveis e nos dias mais comuns. 
7 de fevereiro de 2018

Resenha: A Forma da Água


Diretor: Guillermo del Toro
Elenco: Sally Hawkins, Doug Jones, Michael Shannon, Richard Jenkis, Octavia Spencer 
Duração: 2h03 
Classificação pessoal: 7/10


Certamente você deve pensar que "A Forma da Água", forte candidato a várias estatuetas do Oscar 2018 e sucesso completo em seu país de origem, merecia mais do que apenas um sete na minha classificação. Explico: não sou muito fã desse tipo de fantasia que envolve laboratórios e criaturas esquisitas. E talvez me falte, ainda, toda a sensibilidade dos grandes críticos de cinema de enxergar uma obra-prima em filmes como este. De qualquer forma, tenho que tirar meu chapéu para vários pontos desta produção de Guillermo del Toro, talvez itens que outras pessoas não destacariam, mas que me chamaram atenção.

Para mim, o romance entre Elisa (Sally Hawkins) e a criatura (Doug Jones) demonstra a busca constante de qualquer ser humano por alguém que te ame e te aceite, apesar de suas limitações. A moça se sente atraída pelo conhecido aquático porque, nas suas próprias palavras (ditas em linguagem de sinais, claro), ele não sabe o quanto ela é incompleta por não conseguir falar, e mais, a considera interessante. Logo ela, que vive em um mundo onde é uma simples faxineira, com dois amigos e uma rotina entediante. Ninguém precisa dela; até esta criatura aparecer e colocar sua vida nas mãos de Elisa. Não tem como você não se sentir tocado por isso; por mais bizarro que seja a atração física em si. 

No mais, o filme mostra um aspecto dos homens que sempre me irritou profundamente: o de pensar que todos os seres que não são humanos não merecem nosso respeito e cuidado. É assim na ficção e é assim na vida fora das telas. A verdade é que não é pra menos: se a gente não cuida nem mesmo um do outro, o que se dirá de criaturas que nem sabemos o que são, não é mesmo? (Uma crítica dentro de outra crítica). 

"A Forma da Água" incrementa o roteiro romântico e dramático com pitadas de comédia e tensão, que te mantém entretido mesmo que você, assim como eu, não goste desse estilo. Do lado negativo, gostaria que existissem explicações um pouco mais aprofundadas sobre a criatura em si, como o que ele é, porque foi capturado e algumas das suas características. Estas questões são mostradas, mas muito rapidamente. Talvez este não seja o foco, mas criou uma curiosidade, pelo menos em mim. Confesso que algumas cenas também me deixaram um pouco perturbada. 

Apesar disso, é um filme que vale a pena, sim, ser visto. Como eu disse anteriormente, se você tem mais sensibilidade para a arte cinematográfica, talvez consiga aproveitar até mais do que eu. 

5 de fevereiro de 2018

A lista do bem


Quem me conhece, sabe que eu sou a louca das listas. Organizar tudo quanto é tema em números, itens ou bolinhas me proporciona a maravilhosa e viciante sensação de que, nem que seja por alguns minutos, eu tenho o controle de algo da minha vida. A imprevisibilidade e o caos do dia a dia sempre me assustaram, por isso, encontro paz em escrever quantos filmes eu quero assistir no cinema esse ano (assim, eu não corro o risco de perder nenhum), quantos livros estão esperando para serem lidos aqui em casa (se eles demorarem para receber minha atenção, pelo menos sabem que foram lembrados) ou quais são minhas responsabilidades para aquela semana (alou, memória pouco confiável). Também mantenho sob supervisão meus gastos do mês (muito útil, inclusive) e quantos produtos de beleza eu tenho para não esquecer de usá-los antes que vençam (ok, talvez nem tão necessário assim. Mas ei, eu disse que era viciante). Esses dias, contudo, eu comecei uma lista importantíssima. 

A ideia nasceu mais ou menos assim: eu estava deitada no conforto da minha cama, debaixo das cobertas (luxo que, em pleno verão, só poderia ter sido proporcionado pelo querido ar-condicionado), lendo minha amada Martha Medeiros e com a doce melodia do musical que havia assistido naquela tarde, no cinema, ecoando na minha cabeça. Neste raro momento de paz, eu senti que tudo estava no lugar, porque mesmo que o mundo resolvesse desmoronar a minha volta, eu sempre teria o que me fazem bem para me socorrer e me abraçar. 

E aí, ela começou: a lista das coisas simples que me deixam feliz. Comecei, claro, pelo cinema, crônicas da Martha e cobertor quentinho. Acrescentei comprar um livro novo, visitar uma papelaria, cantar no carro, assistir The Big Bang Theory, comer morangos, dormir a tarde, sentir o vento no meu rosto, terminar um texto novo, desapegar de itens do meu armário, dar risada de vídeos no Youtube e ver fotos antigas. Ah, e claro, fazer listas. Os itens foram aparecendo com muita facilidade, e eu lembrei que, pra encontrar a felicidade, realmente não precisa de muito. 

Mesmo se você não for fã de listas, te aconselho a investir um pouquinho de tempo apenas nessa. Procure pensar em coisas que você possa fazer sozinho ou com, no máximo, mais uma pessoa. A ideia é que seja uma saída rápida e fácil. Acredite: quando você mais precisar, é ela que vai te salvar. 
22 de janeiro de 2018

Estou de volta!


Este é mais um daqueles posts necessários quando você passa muito tempo sem escrever no seu blog, sente um vazio existencial te acompanhando e percebe que precisa voltar a dar atenção para algo que faz parte de você. Fiquei três meses sem postar nada, o máximo que já atingi. Não comemorei os três anos de Reino das Palavras. Não falei sobre um filme que assisti recentemente e que está oficialmente na lista dos meus favoritos. Não postei nada sobre minha viagem pra Disney. Não compartilhei as angústias e alegrias dos últimos meses de faculdade. Mas, pra falar a verdade, não me sinto completamente culpada. Foi necessário. Eu precisava desligar minha cabeça daqui para poder concluir os projetos de 2017. Eu também precisava descansar a mente enquanto estava nos EUA. Agora, me sinto pronta para voltar. 

Ainda não sei quais mudanças vão acontecer, se é que elas vão ser necessárias. Também confesso que não estou a pessoa mais inspirada do mundo. Mas o importante é estar de volta. Porque, nos momentos em que estamos mais perdidos na vida, não adianta ficarmos parados esperando as coisas magicamente entrarem nos eixos e nos mostrarem o caminho a seguir. Temos que nos mexer, e enquanto isso, vamos nos encontrando e nos acertando. É como dizem por aí: o mundo continua girando, quer a gente esteja preparado ou não. 

Ah, e eu estava com saudade dos meus clichês. Mas tenho como objetivo ser mais criativa na minha escrita. Estou louca pra descobrir se eu vou conseguir.