25 de julho de 2018

Curtir a vida


Fuçando o feed do Instagram esses dias, me deparei com uma daquelas típicas frases que acompanham fotos de paisagens ou da própria pessoa na sua melhor pose de "olhando para o nada pensando em tudo": viva como se fosse morrer amanhã. Diferente do que normalmente faço quando leio coisas assim, não tirei print nem guardei na minha pasta de inspirações do celular. Sou uma incorrigível apaixonada por clichês, mas confesso que nunca gostei muito desse em particular. 

Como toda boa ansiosa, essa ideia de viver intensamente acaba provocando aquela famosa crise de "será que eu estou aproveitando meus dias como eu deveria?". Além disso, eu sempre preferi escolher outras legendas para minhas fotos, de preferência aquelas que combinam mais com o que eu acredito. Sim, a verdade é essa: eu não acho que a gente precise curtir a vida como se tudo fosse acabar amanhã, se o seu conceito de "curtir" envolva atividades que, no fundo, não fazem sentido pra você. 

O problema é que a ideia de "viver como se fosse morrer amanhã" acaba automaticamente se associando a festas, viagens, eventos, vida social ativa, bebidas e curtição sem fim. E aí vem aquele dia em que tudo dá errado e sua vontade é ficar em casa debaixo das cobertas, mas você se força a sair mesmo que, no fundo, não esteja nem um pouco feliz com isso, porque vai que esse é seu último dia na Terra, não é mesmo? 

Vamos falar sério agora: quem tem energia, positividade e sorte o suficiente para viver aventuras emocionantes todos os dias? Bom mesmo, na minha opinião, é pensar de outro jeito: se amanhã tudo acabar, eu sei que, hoje, consegui ser grato(a) por pequenos e grandes motivos. Pelo menos eu estava em um caminho que iria me levar aos meus objetivos; eu demonstrava amor e carinho para as pessoas que realmente importavam; e eu usava meu tempo livre com o que eu realmente gostava de fazer - ir ao cinema, curtir várias festas, curtir minha casa, viajar, ler um livro, ficar com meus amigos, ficar comigo mesmo(a). Isso, sim, é aproveitar a vida. 
18 de julho de 2018

Bloqueio e autoconhecimento


Para alguém que ama escrever, poucas coisas são tão angustiantes quanto ter um caderno e uma caneta na mão, ou um novo arquivo aberto do Word, e nenhuma ideia na cabeça. Você sente que precisa do conforto das palavras e daquele alívio de ler um texto que consegue transmitir tudo o que você está sentindo, mas falta criatividade, inspiração e coragem. Sim, coragem, pois escrever é um processo incrível na mesma proporção que é doloroso. 

Nos últimos tempos, esse sentimento de completa incapacidade frente a algo que sempre foi muito natural pra mim estava me acompanhando de perto, me dominando toda vez que eu tentava produzir alguma coisa. Eu sentia que já tinha escrito sobre tudo e que estava urgentemente precisando melhorar meus textos em diversos sentidos, mas não fazia ideia de como. Eu estava tão travada que nem mesmo buscar novos ambientes para escrever ajudou. 

O lado bom desses momentos de angústia é que, independente de qual seja a causa, eles são uma ótima oportunidade de colocar em pratica o autoconhecimento, uma vez que é apenas olhando para dentro de nós, lá naquele lugarzinho que só a gente consegue acessar, que conseguimos encontrar as soluções. Então, foi refletindo em minha própria companhia que encontrei o motivo principal do meu bloqueio criativo: eu estava exigindo muito e fazendo pouco. 

Explico: eu queria que minha escrita evoluísse e, ao exigir um nível que eu sei que ainda não estou preparada, criei um receio de até mesmo arriscar as primeiras palavras, que poderiam sair exatamente como antes. A questão é que não existe evolução sem tentativas, acertos e erros. Sem encostar a caneta no papel, ou os dedos no teclado, ou jamais conseguiria atingir o que eu queria. 

Assim, como quase tudo na vida não dá pra esperar o medo passar para fazer algo, fui com ele mesmo. Em um finalzinho de tarde, abri meu caderninho e, conforme as palavras iam fluindo de mim para o papel, fiz as pazes com a escrita. Rompi a barreira que eu mesma havia criado e percebi como muitas vezes os piores obstáculos que precisamos superar são aqueles que nós acabamos colocamos no nosso caminho. Daí a importância de a gente se conhecer e identificar que tipo de desafio nossa cabeça anda criando que está nos impedindo de correr atrás do que sonhamos. 
11 de julho de 2018

Espere nada, aprecie tudo


Se tem uma coisa que eu aprendi a duras penas nessa vida foi que não dá pra esperar muito da grande maioria das pessoas a nossa volta. É isso: sem grandes dramas ou sofrimentos, apenas uma magoazinha normal de reconhecer, de uma vez por todas, esse fato. A verdade é que, depois de tanto sofrer por se doar demais e receber de menos, você acaba percebendo algumas coisas que nunca tinha pensado antes.

Primeiro: ninguém é obrigado a atender suas expectativas o tempo todo. Mesmo seus melhores amigos acabam te decepcionando em algum ponto, mas possivelmente porque você pode estar exigindo demais deles em situações que eles não podem se doar tanto assim. Pense bem: um momento difícil da sua vida pode acabar coincidindo com um da sua amiga em que ela está passando por uma mega mudança e, mesmo que ela não demonstre, está se sentindo ansiosa o tempo todo, sem conseguir focar em mais nada. E aí, como você vai pedir dedicação total e exclusiva pra você quando ela não está sabendo lidar nem com as próprias emoções?

Segundo: a gente não sabe cem por cento o que está acontecendo na vida dos outros e quais batalhas internas estão acontecendo. Aquele seu amigo super querido que você sabe que pode contar pra tudo talvez esteja dentro de um buraco enorme que não consegue sair de jeito nenhum; e você aí, magoado porque ele não te chama pra conversar a muito tempo.

Terceiro e último fato: tem gente que, mesmo você não exigindo muito e respeitando os conflitos pessoais, não dá pra esperar nada mesmo. Tem o tal do egoísmo que a gente esquece que está dominando o mundo atualmente. E se tem um tipo de pessoa que não vale um pingo do nosso sofrimento, é esse.

Então, no fim, o que nos resta? Resta transformar a mágoa em carinho e cuidado. Resta ser luz na vida de quem merece nossa atenção e seguir caminhos diferentes de quem não move um músculo sequer por você.  
4 de julho de 2018

Sobre sentir orgulho de si mesmo


Quando somos crianças, é comum ouvirmos elogios para cada pequena conquista nossa. Aprender a ir no banheiro sozinho(a), colocar a roupa sem ajuda, tomar suco no copo ao invés de na mamadeira, amarrar o tênis e dormir sem os pais no quarto são algumas das vitórias dignas de aplausos e comemorações das pessoas que acompanham nossa evolução. Na adolescência, também recebemos parabéns por ter conseguido conquistar uma boa nota na prova daquela matéria que temos dificuldade, ou quando passamos no vestibular. Aí chega a vida adulta, e a coisa muda de figura.

Nessa fase, não tem festa quando sobrevivemos àquela segunda-feira particularmente estressante no trabalho sem brigar com os coleguinhas. Ninguém repara no seu sucesso em finalizar um projeto complexo ou conseguir cumprir um prazo apertado. Não há grandes euforias por você ter aprendido a fazer mais uma tarefa de gente grande sozinho – cozinhar arroz, talvez. Também não existem comemorações por você ter respirado fundo e decidido enfrentar um novo desafio ao invés de fugir dele. Suas pequenas vitórias diárias são suas para conquistar e comemorar, pois só você sabe a dificuldade que passou pra atingi-las.

Portanto, desenvolva a capacidade de sentir orgulho de si mesmo por cada coisinha mínima que você ache que mereça reconhecimento – nem que seja só o seu próprio. Um brinde à nossa coragem de não desistir, de enfrentar nossas inseguranças e ansiedades diárias, e de, aos poucos, aprender a se virar nesse mundo tão maluco. E não deixe que ninguém desmereça os seus esforços, pois os outros não sabem as batalhas que acontecem aí dentro todos os dias e nem o tanto que você luta tão bravamente para vencê-las.
25 de maio de 2018

Tudo bem pensar em você primeiro


A moda hoje em dia é reclamar do egoísmo das pessoas. Não julgo e nem condeno, muito pelo contrário: faço parte do time. Contudo, ando pensando a respeito e cheguei a uma conclusão que vai na direção contrária dessa tendência: de vez em quando, tudo bem você ser um pouco egoísta. Pasmem, mas repito: tudo bem.

É preciso pensar na gente para sobreviver no mundo. Isso não significa passar por cima dos outros para conseguir o que quer, muito menos não se importar com quem você ama. Porém, colocar-se em primeiro lugar te faz não se sentir culpado por não quer fazer social e preferir curtir a própria companhia em uma sexta-feira à noite. Você entende que não tem problema nenhum não ser a pessoa mais aberta do mundo durante uma fase difícil, quando suas forças estão concentradas em melhorar a situação. Também é ok não ligar para o que os outros pensam sobre algumas das suas atitudes – quando elas não prejudicam ninguém, é claro.

Falando nisso, pode ser que, nessa de se preocupar um pouco mais com você mesmo(a), você descubra que precisa se afastar de quem não te acrescenta mais nada e está te fazendo mais mal do que bem. O que, é bem possível, vai gerar protestos, mas que não serão suficientes para te fazer mudar de ideia se você tem certeza de que isso é o certo a se fazer.

O que eu quero dizer é: em alguns momentos, ser egoísta, no sentido de dar preferência aos seus sentimentos, é necessário e até saudável. É só assim que você vai conseguir organizar seus pensamentos para ser melhor para as pessoas que estão a sua volta. Contanto que o egoísmo não vire rotina, aqui está a minha benção: usufrua dele sempre que achar que precisa.
23 de maio de 2018

Coloque para fora!

“Never apologize for saying how you feel”.

Anote aí: o que você sente importa. Esconder, sufocar, fingir que não existe é um esforço inútil. O mundo tenta nos calar o tempo todo. Enxugue as lágrimas, sorria, olhe para as câmeras, ninguém viu, está tudo bem. Não, não está. O sentimento está aí dentro, debatendo-se para sair. Só porque ele se calou durante um tempo não significa que desapareceu por completo. Se ele não sair por bem, vai sair por mal, quando você menos esperar. E pode ser muito pior.

Por isso, fale o que você sente. Estou magoado(a). Não gosto de ser tratado(a) assim. Esse tipo de atitude me machuca. Eu preferia que você não falasse desse jeito comigo. Sim, fiquei chateado(a) com aquilo. Sinto que você não me escuta. Parece que você não se importa. Vou te contar porque estou agindo diferente com você. Preciso te dizer uma coisa que estou guardando já faz um tempo.

Ufa! Saiu. Não se desculpe. Você fez o certo, precisava falar. Agora, o próximo passo: escute.
21 de maio de 2018

Se você sente, demonstre


Pode até parecer que não, mas a verdade é que todo mundo anda se sentindo meio solitário. As redes sociais tentam dizer o contrário, porém, muitos andam caminhando há tempos de mãos dadas apenas com as suas preocupações e frustrações diárias, olhando para os lados sem enxergar ninguém com quem se possa dividir as angústias e até mesmo as alegrias. Nessa aparente escuridão total em que a maioria está imerso, acender a luz depende de algo simples e, ao mesmo tempo, desafiante: não ter medo de demonstrar o que você sente pelos outros. 

Se você ama alguém, fale. Se você admira, também. É difícil, eu sei, e pode ser que você receba alguns olhares desconfiados. Se você não se sentir a vontade, não precisa ser tão explícito, pois existem diversas formas de mostrar os sentimentos que estão aí dentro e que precisam sair para trazer mais cor para esse mundo tão cinza. Você pode escrever um bilhetinho e deixar na mesa do seu colega de trabalho que você adora e que anda muito estressado com o tanto de coisas para fazer, dizendo que você sabe que ele vai conseguir. Pode comprar uma flor para dar para a sua mãe em um dia que ela está meio chateada. Pode levar seu irmão no cinema para ele largar um pouco do celular. Pode mandar uma mensagem bonita para aquela amiga que está passando por uma fase ruim, para lembra-la do quanto ela é especial.

Mostre que você está ali sem esperar nada em troca. As pessoas merecem saber o que você sente por elas. Ou melhor: precisam.