18 de setembro de 2015

Quantas vezes eu puder, serei - Júlia Groppo


Quando encontrei algumas fotos antigas perdidas pelo celular, não pude deixar de dar uma atenção especial a esta. Eu tinha quatro anos e alguns dentes faltando na boca. Nenhum problema na cabeça e muita, muita, muita alegria no meu coração. Estava apenas no início. Cada dia, uma nova descoberta do que era a vida, o viver, o aprender - um pouquinho por dia. Mas sem saber, de fato, a verdadeira importância disso tudo. É engraçado olhar pra essa foto - que diz muito sobre quem eu sou até hoje - e saber que essa Júlia nem imaginava tudo o que estava por vir. É gostoso olhar dentro dos meus próprios olhos e enxergar a inocência ali presente; por não saber quase nada; por não precisar lidar com problemas e responsabilidades desde cedo; por simplesmente ter vivido tão tranquilamente essa época gostosa da vida: aquela na qual estamos vivendo, mas sem saber disso. Sem pretensões, insegurança, julgamentos e medo de sermos julgados. Sem pressa, pressão ou angústia.

Mesmo assim, não pude deixar também de refletir uma coisa. Depois dessa foto, a vida foi acontecendo. O tempo? Passando - e cada vez mais rápido. Alguns tropeços aqui, acertos ali, amizades cá e acolá. Pessoas e momentos. Dias, horas, minutos e segundos. E agora, cá estou eu, exatos 15 anos após essa foto ter sido tirada, escrevendo para vocês. Eu não mudaria nada desse percurso. Não tiraria uma pedra sequer do meu caminho - as quais me fizeram tropeçar em grande estilo. Não mudaria o que sou. Não gostaria de ser outro alguém. Não tiraria nada do que me moldou. Eu apenas quero poder continuar sendo a Júlia de sempre. A da foto, a de agora e a que virá amanhã. O tempo? Continuará passando. A Júlia? Eu não sei. Talvez agora mais crescida, madura e observadora. Mas, nem por isso, com poucas dúvidas a respeito de viver. E isso nunca vai mudar. E eu nem quero que mude.

Pode vir, vida!

Júlia Groppo

2 comentários:

  1. Muito bom, Júlia!
    Seu texto me fez repensar algumas coisinhas em relação a mim. Quando você disse que não mudaria nada, instantaneamente veio à minha cabeça "E eu? Porque eu mudaria alguma coisa?". Me veio então a ideia de que às vezes nos arrependemos sem necessidade.
    Se não tivéssemos feito tal coisa - como gostaríamos de não ter feito - poderia até ter sido ainda pior, poderiam ter aumentado as dificuldades, diminuído as oportunidades, talvez não tivéssemos a chance de saber coisas das quais sabemos hoje, enfim, um leque de coisas que conquistamos por causa de um ação que tivemos que se tivéssemos feito diferente, teríamos perdido.
    Hoje o seu texto me ensinou a não me arrepender e não me culpar e que todas as coisas acontecem para que um futuro bom eu viva depois.
    Um beijo, Jú e Ana.
    Obrigada por fazerem esse blog d eum jeito incrível que me acrescenta mais e mais.

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    1. Que lindo, Nayandra! <3 Fico muito feliz que tenha se identificado com meu texto!!!!! Sem dúvidas, cada passo dado em nossa vida nos acrescenta de alguma forma e cada qualidade ou defeito que temos nos diferenciam das outras pessoas. É o que nos torna ÚNICAS. Quer coisa mais incrível que isso?

      Minha missão ao escrever e expressar meus sentimentos aqui é exatamente essa: acrescentar o quanto eu puder na vida das pessoas. E. sabendo que consegui isso, fico muito feliz!

      Um beijo.

      Ju <3

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