22 de dezembro de 2015

Conheça a história de uma dançarina de flamenco brasileira

Há quase dois anos atrás, apareceu para mim meu primeiro desafio como iniciante de jornalismo: fazer minha primeira matéria. É difícil pensar em algo que, como dizia meu professor, tivesse potencial para virar uma notícia quando você nunca fez isso antes. Depois de muito pensar, apresentei minha ideia de pauta, e ela foi aprovada. Fiz minha primeira entrevista, e senti, também pela primeira vez, que era aquilo mesmo que eu queria fazer pro resto da minha vida; afinal, sou curiosa, adoro ouvir histórias e entender como as coisas aconteceram!

A primeira matéria a gente nunca esquece; e nem a primeira fonte! Mas não foi só por isso que fui mais uma vez atrás da dançarina de flamenco Giovanna Vilariño; a história dela, o jeito como ela se entrega a uma dança que não é muito comum aqui no Brasil, com coragem e paixão, me fascina até hoje. Decidi, então, trazer pra vocês conhecerem essa personagem que nos traz não só um modo de vida diferente do escolhido pela maioria dos brasileiros, mas uma arte que muitos nem sabiam que existia aqui no Brasil.

Foto: Arquivo Pessoal
A história da Giovanna no flamenco começou quando ela tinha 9 anos, quando começou a praticar a dança no Centro de Arte Flamenca, em Campinas. Em 2007,  com 12 anos, fez seu primeiro curso internacional, e por ser a mais nova dos dançarinos, ganhou seu nome artístico: La Piveta. “Uma das moças, a Carolina Zanforlin, começou a me chamar de ‘piveta’, que acabou ficando”, conta ela. Com essa idade, Giovanna também fez uma das apresentações mais marcantes para ela. “A primeira vez que eu fiz um solo com música ao vivo em São Jose. Eu fiz um ‘tangos’, um dos estilos do flamenco, e quem estava cantando e tocando era o Pedro Fernandez, que é pra mim o melhor bailarino de flamenco do Brasil, e o Giovani Capeletti, um dos melhores guitarristas de flamenco. Então, foi uma primeira vez inesquecível. É algo que eu sempre lembro, mas para mim, todas as apresentações são especiais”, relembra. Nesse e em outros cursos que participou posteriormente, a dançarina entrou em contato com grandes nomes da dança flamenca, como Carmen “La Talegona”, Eli “La Truco”, Pol Vaquero, entre outros.

Apresentação em Buenos Aires, no tablado Perro Andaluz, 2014. Foto: Paola Evelina
Entre competições e apresentações, em 2013, após um curso em janeiro com a bailarina Eli “La Truco”, Giovanna ganhou uma bolsa para um curso de flamenco na Espanha, em Madri, para onde ela foi em julho. “O curso era de 8 horas por dia, com aulas de técnica, corporal, teatro, balé e instrumentos do flamenco. Desde os meus 14 anos eu juntava dinheiro pra poder ir pra Espanha, e a bolsa foi ótima porque eu não precisava pagar as aulas. Fui em agosto, mas aproveitei as ferias de julho para ficar em Sevilha”, conta a bailarina. “Na Espanha, eu recebi o reconhecimento do meu ídolo David Paniagua, que falou que eu seria muito grande na profissão”, comemora.

Foto: Vitor Damiani
No mesmo ano, assim que voltou para o Brasil, Giovanna foi convidada para participar do primeiro concurso de flamenco do país, em Porto Alegre, e ficou em segundo lugar. Depois disso, continuou com suas apresentações e participou de diversos grupos de dança, além de dar aulas e cursos. Finalmente, em janeiro de 2015, mudou-se para Madri, onde permanece até hoje, dançando e fazendo aulas com Alfonso Losa, grande nome do flamenco e reconhecido mundialmente.

1o Concurso de Flamenco do Brasil, 2013. Foto: bemmequerfotografia
Lendo assim, parece que tudo foi muito fácil para a dançarina. Mas não foi bem assim, ainda mais vivendo em um país onde a arte é tão pouco valorizada. “E não é só o reconhecimento no sentido de que o governo não financia, mas em questão das pessoas não terem interesse em assistir flamenco, bem como outras artes. Os brasileiros reclamam que não temos cultura e educação, mas ninguém vai atrás. Algumas pessoas até dão risada, pois é uma coisa diferente, e eles não estão afim de conhecer, diferente da Espanha, onde as pessoas vão ver os espetáculos, independente se é algo de profundo interesse delas”, explica Giovanna.


E completa: “Nós temos uma cultura no Brasil que é muito assim: é preciso estudar pra terminar o Ensino Médio e passar em uma faculdade, depois estudar pra terminar essa faculdade, depois fazer uma pós-graduação, ter um emprego, uma família, e acabou. E não é só isso. Como não temos uma ajuda financeira e publicitária do governo, as pessoas acham que é só isso, mas dá pra viver fazendo outras coisas. É lógico que é muito importante você saber ler e escrever muito bem, porque isso te dá outra cabeça. Mas é muito difícil pra algumas pessoas entenderem que eu não quero fazer faculdade. Para a arte, não é uma faculdade que vai te ajudar a ser muito bom. Você pode estudar muito, mas quando você nasce com aquele talento, é tudo uma questão de foco, sorte e conhecer pessoas”.

3 comentários:

  1. Parabéns,esse sucesso é fruto de sua dedicação. Me lembro das primeiras apresentações no Colégio Liceu Salesiano de Campinas.Onde estudou com meu filho Léo Villani. Mais e mais sucesso.

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  2. Parabéns,esse sucesso é fruto de sua dedicação. Me lembro das primeiras apresentações no Colégio Liceu Salesiano de Campinas.Onde estudou com meu filho Léo Villani. Mais e mais sucesso.

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  3. Parabéns Gi , alem de grande dançarina, eh uma pessoa fabulosa.

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