28 de dezembro de 2015

Síndrome da utilidade


Fim do ano chegando e, com ele, além de listas de desejos e mudanças pra 2016, vem o que? Isso mesmo, textinho no Reino das Palavra sobre o que a escritora aqui aprendeu em 2015, ou o que ela quer para o ano novo.
Mas na verdade, vou poupa-los e deixar tudo isso pro último dia do ano. Hoje, se me permitem, vim compartilhar uma reflexão que me veio quando estava lendo um livro de crônicas da minha musa Martha Medeiros.

Lá estava eu, lendo meu "Felicidade Crônica", quando me deparo com três palavrinhas: síndrome da utilidade. Pensei: isso dá um bom texto. Escrevi no meu caderninho, mas esqueci de colocar qual o nome da crônica da qual as tirei. Fico devendo.

Síndrome da utilidade: compulsão de desejar que tudo o que se faz seja útil. Já sofri disso, e admito que ainda sofro um pouco. Não sei vocês, mas eu sinto que o mundo cobra tanto da gente que às vezes parece um crime sentar no sofá para assistir qualquer coisa que esteja passando na TV. Afinal, isso não é útil, e enquanto você faz isso, outros estão batalhando e passando na sua frente. Enquanto você assiste sua série, seu amigo está trabalhando e já é um melhor profissional. O tempo está passando e você não está atendendo às expectativas.

Para tudo, que doideira é essa? Que mal tem se desligar um pouco das responsabilidades fazendo coisas banais? Muito pelo contrário: só faz bem. Passar os canais da TV, ficar o dia vendo série e comendo pipoca, perder-se na leitura daquele livro incrível, meditar ou simplesmente ficar deitado na cama ouvindo música. Isso não é útil pra ninguém, de fato; mas é útil para você, para a sua saúde mental e até mesmo física. É útil para descansar a cabeça, relaxar, entrar um pouco em sintonia com o seu corpo. É ótimo esquecer dos problemas para depois pensar melhor em maneiras de soluciona-los. Sair desse mar revoltado que é a vida para juntar forças para continuar nadando é sempre necessário. Sinceramente, ninguém tem pique para ser útil a vida inteira. 

Claro que não podemos nos render a inutilidade só porque ela é o caminho mais fácil. Deixar de lado as responsabilidades e os problemas por um tempo é ok, mas não se pode deixa-los para sempre; eles voltam, e voltam cheios de consequências.

Mas ser inútil às vezes é muito bom e altamente recomendável. Fica a dica para você explorar esse seu lado e superar essa síndrome imposta pelo sistema em que vivemos. 

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