24 de janeiro de 2016

Quero ser Martha


Meu jeito favorito de aproveitar o restinho de férias é lendo, principalmente, meu livro de crônicas da Martha Medeiros. Eu sempre falava que, um dia, queria escrever igual a ela; acho incrível a capacidade dessa mulher de transformar qualquer coisa do cotidiano em uma reflexão tão profunda usando palavras tão simples. Bem no começo desse blog, eu costumava comparar o que eu escrevia com as crônicas da Martha, para saber se pelo menos eu estava no caminho certo para copia-la. Mas eu sempre me decepcionava. 

Primeiro erro: eu, com meu blog recém criado, queria ter tanta prática escrevendo quanto uma mulher que já possui mais de 20 anos de experiência com crônicas. Queria saber usar as palavras exatamente igual a ela, pulando todo o processo de aprendizagem e aprimoramento que todos os escritores passaram. Sim, meus caros, eu queria ser diferente e virar a musa da literatura da noite pro dia. 

Segundo erro: eu, com meus meros 19 anos, queria ter tanta sensibilidade e entendimento sobre a vida para escrever sobre ela tão bem quanto uma escritora 35 anos mais velha do que eu. Eu queria ter tantas coisas para passar quanto ela, e queria ter o mesmo nível de maturidade. Esqueci que o conhecimento que eu tenho sobre esse mundo não passa de uma gotinha no meio do oceano de coisas que ainda preciso, e vou, aprender.

Terceiro, último e pior erro: eu queria ser ela. Porque somente sendo Martha Medeiros para escrever exatamente igual a Martha Medeiros. 

Hoje, quero ser Ana Luísa de Oliveira. Quero ser uma escritora com uma voz só minha, que usa as palavras de forma única e que faz reflexões sobre a vida a medida em que aprende com ela. Se serei melhor ou pior que outros? Sem dúvida, serei os dois. Mas serei eu mesma. 

E, claro, sem abrir mão da minha principal inspiração. 

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