24 de fevereiro de 2016

A história por trás do filme "A Garota Dinamarquesa"

Quando o trailer desse filme foi lançado, eu juro que devo ter assistido umas dez vezes. A história me tocou muito, e eu não via a hora de ver no cinema. Quando eu finalmente assisti, posso dizer que saí da sala meio atordoada. É, de fato, uma história muito tocante. Mas muito pesada também.
A garota dinamarquesa. 
O que eu não sabia é que esse filme era baseado em uma história real da primeira pessoa transexual. A garota dinamarquesa de fato existiu, e nasceu como Einar Mogens em 1882 (o mais curioso é que, se você joga esse nome no Google, automaticamente aparece Lili Elbe), um artista de sucesso que no filme pintava quadros do lugar onde nascera. Einar era casado com Gerda Wegener, também artista, e que no filme ainda lutava para ganhar tanto reconhecimento no mundo artístico quanto seu marido (de acordo com as minhas pesquisas, na vida real, Gerda já era referência com seus estilizados quadros femininos). 

Einar pousando pela primeira vez para Gerda. 
Um dia, a modelo de Gerda não apareceu em sua casa, e ela precisava terminar um quadro. Pediu ajuda para Einar, que colocou o vestido, os sapatos e as meias da modelo. Mal sabia o casal que, depois desse fato, tudo mudaria. O artista nunca se sentiu tão autêntico quanto naquele momento, vestindo roupa de mulher e pousando como se fosse uma. No filme, Gerda volta a vestir seu marido dessa forma para pintar Lili, uma personagem que inventaram. E os quadros finalmente trazem para a artista o reconhecimento que tanto esperava. Mas, quando ela leva Lili a uma festa, e ela acaba beijando um homem, Gerda percebe que Einar não estava só brincando: ele realmente estava se sentindo cada vez mais como uma mulher.

Gerda Wegener, "A Summer Day", 1927
Por conta do sucesso dos quadros de Gerda, em 1912 o casal se muda para Paris, com Lili cada vez mais presente em suas vidas. Na vida real, Gerda começa a se relacionar com outras mulheres. No filme, a moça, mesmo feliz com o sucesso de sua personagem, sofre cada vez mais com a perda de Einar. Mas o amor falou mais forte, e ela o apoia quando, depois de consultar inúmeros médios, encontram um doutor que disse ser possível transformar Einar em Lili de forma permanente. 
Na vida real, Einar se submeteu a cinco cirurgias, e morreu na última, em 1931. No filme, ele fez apenas duas, também, claro, morrendo no final. Mas morreu como Lili Elbe. Antes de passar por essa operação que custou sua vida, o artista escreveu a um amigo: "Provei que tenho o direito de viver existindo como Lili durante 14 meses. Podem dizer que 14 meses não são muito, mas para mim é uma vida humana completa e feliz". 

Lili sendo pintada por Gerda.
O que mais me tocou foi ver todo o sofrimento e a luta de uma pessoa que não se sentia bem no próprio corpo e, por ser a primeira, não tinha nem uma palavra que a descrevesse. O termo "transexual" só surgiria muitos anos depois da morte de Lili. Ela não podia contar com ninguém que a entendesse, a não ser Gerda, e trilhou um caminho sem nem saber no que daria, apenas pelo desespero de querer ser quem acreditava que era. O filme retrata de forma tão perfeita tudo isso através da atuação de Eddie Redmayne e Alicia Vikander, que eu não me surpreenderia se ambos ganhassem Oscar em suas categorias; Redmayne, pelo segundo ano consecutivo. 

É uma história e um filme emocionantes, que nos fazem pensar no direito que todos temos de sermos exatamente quem quisermos ser. Sem preconceitos ou julgamentos alheios. 

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