7 de março de 2016

Vamos espalhar clichês


Não sei se vocês já perceberam, mas toda vez que vou escrever uma frase clichê, peço desculpas ou me justifico. Afinal, essa palavrinha virou sinônimo de falta de criatividade. Mas esses dias eu estava pensando que, se as pessoas falassem mais clichês umas para as outras, o mundo seria um lugar melhor.

Não sei, mas ao meu ver, tudo o que colocamos no mundo com uma boa intenção é muito bem-vindo. Vivemos com tanta maldade a nossa volta, que um clichêzinho aqui e ali não podem ser desvalorizados. Por exemplo: falar para uma pessoa que está passando por uma situação difícil que "tudo vai passar" e que ela precisa "ficar forte" não vai milagrosamente resolver os problemas dela. Mas eu tenho certeza de que vai ajuda-la muito mais do que não falar nada, ou mesmo fingir que não é com você. A menos que você tenha um conselho perfeito para a situação, use um clichê. Eu, pelo menos, gostaria de ouvir essas palavras tão básicas, mas ao mesmo tempo tão carinhosas nos meus dias nublados. É uma luzinha gostosa, e nunca se sabe quem está precisando.

Quer coisa mais clichê do que falar "eu te amo"? Ou "estou com saudade"? Essas expressões não parecem dar conta da imensidade do sentimento que tentam transmitir. Mas, enquanto não inventarem outras melhores, não podemos deixar de usa-las só porque não são as mais criativas do mundo. Falem "eu te amo" quantas vezes precisarem. E falem que sentem a falta de todas as pessoas que precisam saber disso. 

A intenção desse texto, então, é justamente essa: não espalhem ódio, espalhem clichês. "Vai ficar tudo bem", "você vai conseguir", "fique forte", "isso vai passar", "eu te amo", "eu sinto sua falta", "você é capaz". Sem medo de ser feliz, ou de ser julgado pela falta de criatividade. 

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