3 de setembro de 2016

A sociedade do postei, logo vivi

(Ana Luísa de Oliveira)

Hoje, acordei com uma vontade de tentar algo diferente. Acordei com vontade de tentar escrever crônicas. Afinal, os textos produzidos até agora nesse blog não possuem exatamente uma classificação. São textos, e ponto. Quero me aventurar nesse gênero jornalístico e literário. Aliás, mais literário, nesse meu caso. 

Antes de mais nada, me perdoem eventuais erros de português e/ou compreensão. Estou nos meus primeiros passos. 

Final de semana passado, tive a oportunidade de ir pela primeira vez na Bienal do Livro. Como era de se esperar de qualquer amante de livros, o enorme pavilhão com suas estandes e tapete vermelho logo virou um dos meus lugares favoritos no mundo. Fiquei completamente absorvida pela mágica do lugar que parece exalar literatura em cada canto, mesmo aquela vinda de livros que eu não gosto ou não concordo (livros de Youtubers, por exemplo. Apesar de eu ter comprado um. Mas isso é tema para outra crônica). A absorção foi tanta que, como sempre acontece comigo, sumi das redes sociais. Durante o evento, não postei nada no Twitter, Snapchat, Facebook ou Instagram. Para ser sincera, até esqueci que as tinha. 

Quando voltei, queria contar para todas as minhas amigas como foi. E eis que uma me pergunta: nossa, você realmente foi? Achei que tinha desistido, não vi nenhum post seu a respeito! 

Tal observação é pertinente se levarmos em consideração o mundo em que vivemos. Temos o hábito de compartilhar os momentos bons da nossa vida porque achamos que só assim eles são válidos aos olhos de outros. Por exemplo, se você foi para um lugar incrível e não fez um Snap com uma música de fundo, você sente que não estava lá de fato. Se fosse assim, eu não teria ido para a Disney ou para o Beach Park esse ano. Aliás, se fosse assim mesmo, eu provavelmente nunca teria saído de casa. 

Nesse mesmo mundo, usamos as redes sociais para causar uma certa invejinha nos outros e, assim, aumentar nossa felicidade por conta de um fato. Seguindo essa ideia, se você conseguiu um aumento no trabalho, vai se sentir ainda mais feliz quando postar sobre isso no Twitter ou Facebook. 

Não julgo essa atitude, para falar a verdade. Afinal, quem não gosta de receber curtidas e comentários? Quem não gosta de registrar um momento muito especial para poder compartilhar a sua alegria com aqueles que estão longe? Um pouco de atenção e autopromoção não faz mal para ninguém. 

Mas é uma pena que algumas pessoas levem isso tão a sério a ponto da felicidade depender exclusivamente da inveja alheia. Para elas, desejo que um dia consigam se sentir tão bem em um lugar ou por causa de um acontecimento que não sintam a necessidade de compartilha-lo com estranhos, mas apenas com quem importa. 


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