12 de setembro de 2016

Direito de ter dias ruins


Domingo passado, escrevi minha primeira crônica aqui no blog em que falei sobre a nossa mania de compartilhar tudo o que vivemos para nas redes sociais para, assim, legitimar os momentos. É um assunto que rende muitas reflexões. Mas hoje, quero focar em uma outra consequência que essa mania trouxe para a nossa vida.


O que acontece é que as pessoas estão achando cada vez mais que todo mundo tem a obrigação de estar sempre bem e feliz igual estão nas fotos do Facebook ou Instagram. Parece que tiraram da gente o direito de ter dias ruins, de acordar meio torto(a), de não estar no clima para ser a pessoa mais simpática que existe. O mundo cobra cada vez mais sorrisos falsos e animação forçada, afinal, se é tão fácil fingir na frente de uma câmera, por que não seria na realidade?

Eu explico: porque nós somos humanos, e é da nossa natureza ficarmos pra baixo de vez em quando. Algo tão óbvio e que não precisaria ser escrito aqui, mas que parece que as pessoas esqueceram. Afinal, cada cara meramente feia ou cada comentário um pouco torto que você faz já é motivo para elas virarem as costas, te chamarem de grosso(a) e ficarem "de mal". E a compreensão, cadê? 

Claro que não é porque não estamos em um momento propício que precisamos ofender aqueles que estão do nosso lado. Eles não tem culpa. Mas temos sim o direito de não querer demonstrar alegria sem vontade. Podemos sim ficarmos quietos, no nosso cantinho um pouco, se assim acharmos melhor. 

O que eu quero dizer é o seguinte: você tem SIM o direito de ficar mal. Ok? Fique a vontade, sem se preocupar com o que os outros, que estão vivendo em suas realidades paralelas de alegria falsa e infinita, pensam. Só não por muito tempo. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário