11 de setembro de 2016

Meninas corajosas

No começo desse ano, assisti um documentário chamado "Meninas". Produzido por Sandra Werneck e lançado em 2005, traz a história de três adolescentes (na verdade, quatro, mas uma delas quase não aparece) que engravidam e precisam lidar com as consequências disso em um cenário já não muito promissor: as periferias do Rio de Janeiro. 11 anos depois, o tema ainda é pertinente, pois mesmo com todas as campanhas de prevenção, ainda podemos ver meninas virando mães antes do tempo. 

Essa sensível e ao mesmo tempo crítica produção pode ser analisada de diversas formas. Particularmente, gosto de focar nas expressões e na maneira como Evelin, Edilene e Luana lidam com a dura realidade que precisam enfrentar: pelo que podemos ver através das lentes que as filmam, com resignação. 

Elas não tem saída. Precisam cuidar de seus filhos e levar a vida como dá. Em um momento, Edilene fala: "A vida está um pouco difícil". Pudera: precisa cuidar não só de seu bebê, mas também o da sua mãe, e não pode voltar a estudar. Mas a cena seguinte é ela andando e levando a criança no colo. O que eu interpreto: seguindo em frente. 

Resignar-se. Continuar com a vida do jeito que dá. Essas são as lições menos óbvias que eu tiro desse documentário toda vez que eu assisto. Gosto de ver as meninas sorrindo e dando risada para a câmera mesmo com a situação em que se encontram. Gosto como parece que elas estão levando isso da melhor maneira que podem. E gosto principalmente de como elas me fazem colocar a mão na consciência e pensar em tudo o que eu considero "um pouco difícil". Apesar de nunca ser a melhor saída, comparar os seus problemas com quem enfrenta coisas muito piores te ajuda a ter mais coragem para enfrenta-los. E é isso que esse documentário me passa: coragem. 

Essas meninas não podem mudar a sua realidade, mas podem, sim, tirar disso tudo algo bom. Espero que elas tenham feito isso. E espero que a gente aprenda a tirar de tudo de ruim que não podemos mudar, coisas muito boas pelas quais vale a pena seguir em frente. 

Clique aqui para ver o documentário no Youtube. 

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