12 de novembro de 2016

O que uma caminhada em um sábado de manhã tem a ensinar


Esses dias, me deu vontade de caminhar. Queria aproveitar meu final de semana mais tranquilo e a Lagoa do Taquaral aqui do lado de casa para queimar algumas calorias que ganhei nas últimas semanas. 
Então, programei meu despertador para tocar mais cedo, coloquei meu único tênis esportivo, uma blusa e um short bem antigos, peguei meu iPod mais antigo ainda e lá fui eu. 

Nos primeiros momentos da caminhada, senti a parte lateral do meu corpo começar a doer. Aquela dor que vem quando estamos super focados no exercício e esquecemos de respirar. Disse para mim mesma: "você está indo muito rápido. Diminua um pouco o passo e respire". E fiz.

Depois, começou aos poucos o cansaço nas pernas. Eu sabia que estava indo rápido de novo, rápido demais para quem não estava acostumada, mas não queria diminuir. Já tinha sido ultrapassada por muitas pessoas e não queria me sentir tão atrás. Continuei. 


Foi só quando começou um desconforto nas pernas causado pela dilatação dos vasinhos que eu fui forçada a sentar em um banco e passar a garrafinha de água gelada pela pele. Enquanto esperava passar, me veio o pensamento: com quem eu estava competindo para deixar de lado as limitações do meu corpo? Tinha alguém ali em volta que estava me cobrando ir mais rápido? Não. Ninguém. Meus companheiros de caminhada estavam muito preocupados com seus próprios exercícios para prestar atenção em qual velocidade eu estava andando. Eu estava competindo com o nada.

Me permiti rir discretamente de mim mesma naquele momento. Depois, levantei a continuei minha caminhada. Dessa vez, sem pressões. 


Não me culpo pela minha reação. Em um mundo que vive nos cobrando a nossa versão 2.0, 3.0, 4.0 e assim por diante, é difícil não querer ser melhor, ou pelo menos igual aos outros. Nossa cabeça está condicionada a ter medo de ficar para trás. E isso é muito cansativo. 

Mas, no final da caminhada, somente minhas pernas estavam cansadas. Minha cabeça estava em paz de saber que eu aceleraria apenas se quisesse e correria apenas se tivesse vontade, porque ninguém me obrigaria. Naquele momento, era apenas eu, minha garrafinha e meu iPod cantando no meu ouvido. Foi libertador. 

Não digo que não é importante procurarmos sempre a melhor versão de nós mesmos. É muito motivante. Mas se a gente soubesse como é gostoso se dar o luxo às vezes de caminhar no nosso próprio ritmo, não teríamos tanto medo de fracassar. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário