5 de dezembro de 2016

Felicidade contagiante


Um ótimo passatempo para quando você está em algum lugar que demanda uma espera (e você quer dar uma de diferente e não ficar mexendo no celular) é observar as pessoas a sua volta. Imaginar o que elas fazem da vida, se estão apaixonadas, se são felizes. 
Esse ato poético é ainda melhor quando você está em um aeroporto. Você adquire todo um ar de "escritor ou escritora a procura de inspirações para seu próximo conto sobre chegadas e partidas". 

Mas a verdade é que não há muito o que se inspirar quando você está sentada em um sofá de cinema esperando sua sessão começar. Afinal, todas as pessoas estão lá por um mesmo objetivo: assistir um filme. Você pode até começar a tentar adivinhar qual filme exatamente elas verão... Mas não é a mesma coisa. Não tem toda aquela atmosfera de diferentes histórias em um mesmo lugar.

De qualquer forma, lá estava eu, em um dos meus lugares favoritos do mundo, mas com alguns minutos para gastar. Meu sapato me impossibilitava de passear pelo shopping (e ainda deixou algumas bolhas de presente), e eu estava cansada de olhar para a carinha do meu celular. Sorte a minha que meu amor estava comigo, então eu podia passar o tempo que restava conversando e tentando fazer cócegas nele enquanto ele quase batia na moça do nosso lado. Meu velho passatempo não era necessário. 

Mas, meio sem querer, comecei a observar uma moça que sentou próximo do nosso sofá. Ela tinha acabado de sair da livraria do lado do cinema, cheia de livros nas mãos e um grande sorriso no rosto. Aparentemente, tinha conseguido o autógrafo de alguma escritora que estava recebendo seus leitores. 

Me distrai da minha tarefa de fazer cócegas com a felicidade que emanava da estranha que sentou ali perto. Ela nem sabia o que fazia com os livros: se abria, se fechava, se tirava foto, se guardava, se colocava de lado. Ela apenas os movimentava de um lado pro outro e sorria sem parar, olhando para as pessoas em volta. 

Eu conheço essa sensação, pensei comigo. Essa felicidade que parece querer pular pra fora da gente e se espalhar. Ela queria isso. Queria que qualquer pessoa olhasse pra ela para que pudesse compartilhar esse momento tão incrível para ela com um simples sorriso. Mas ninguém olhava. Os demais presentes daquele círculo de sofás estavam preocupados demais com seus celulares e acompanhantes para dar lhe dar atenção. 

Mas eu dei. Ela não percebeu, mas eu não conseguia desviar o olhar. O brilho que ela emanava me contagiou, porque não tem nada mais puro do que a felicidade que você quer compartilhar. Tive vontade de ir até ela e convida-la para sairmos saltitando por aí, para colocar tudo aquilo pra fora e comemorar. 

Ela iria comemorar seus recém adquiridos autógrafos. E eu, o fato de ter achado uma pessoa que não tem medo de mostrar o que está sentindo para um mundo onde ser feliz é um ato de coragem contra os invejosos de plantão. 

No fim, comecei a imaginar a vida da menina. O que ela fazia, quais outros livros ela gostava, quem era essa escritora e, principalmente, quanto tempo essa felicidade duraria. Fui assistir meu filme sem nenhuma dessas respostas, mas com o desejo de que ela sorrisse por muito tempo ainda. 

4 comentários:

  1. Tão gostoso quando o riso de um desconhecido nos causa esses sentimentos! ♥
    Sei exatamente como é isso, e para boas observadoras, como nós, é um prazer inestimável.

    Abraços,
    rainhadaepifania.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É uma delícia mesmo Ju... Não tem nada melhor do que poder presenciar momentos únicos como esse de desconhecidos, que te causam uma felicidade imensa e de quebra rendem uma crônica para eterniza-los ♥

      Excluir
  2. Oi, Ana!

    Que texto incrível!
    Mais do lindo do que se sentir feliz, é desejar e admirar a felicidade do outro.

    Fiquei aqui na curiosidade pra saber de quem eram os autografos! hahaha

    Ah, posso pedir pra você responder a PESQUISA DE PÚBLICO lá do blog?
    é rapidinho e ia me ajudar bastante!
    Beijos, Ana do dia <3

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ana, muito obrigada!! Também fiquei super curiosa, mas não descobri :/ UHAUHAUAHUAH

      Claro, vou responder já! Super beijo ♥

      Excluir