12 de março de 2017

Dois gestos


Esse meu novo hábito de andar/correr na Lagoa do Taquaral todo final de semana ainda vai me render muitas histórias.


Lá estava eu, toda feliz, correndo pela calçada e ouvindo Lady Gaga no meu iPod. Pelas minhas contas, estava conseguindo bater minha meta de completar a volta em torno do parque em menos tempo do que no final de semana passado. E fui justamente enquanto pensava nisso que, ao tentar desviar de um grupo de pessoas que vinha na direção contrária, tropecei e caí. Me estatelei no chão. 

Só que aí uma coisa incrível aconteceu. Um casal que passava por aquele mesmo trecho não esperou nem um segundo pra me ajudar. Eles se agacharam do meu lado, me ajudaram a levantar e usaram a água da garrafinha deles pra lavar minhas mãos e meu joelho ralado. Naquele momento, eu só pensava em segurar o choro pra não dar mais vexame. 

Mas eu não queria chorar por causa da dor. Ou pela vergonha que é cair em público. O susto ajudou um pouco, mas meus olhos encheram de lágrimas principalmente por receber um gesto tão gentil de pessoas que nunca me viram antes e não hesitaram em me socorrer. Graças a eles, eu não me senti azarada por ter me acidentado. Me senti sortuda por Deus ter colocado duas pessoas perto de mim naquela hora que entendem que não custa nada simplesmente ajudar e não apenas sentir dó, vergonha alheia ou perguntar se está tudo bem. 

Quando o susto passou, agradeci várias vezes o casal. O homem sorriu e disse: "Agora é tomar água e continuar, né?". Eu respondi: "Pode deixar". E continuei. Com a perna e o joelho doendo, sem poder ligar para alguém me buscar e com metade da Lagoa para percorrer. Mas segui. 

Dois gestos. Ajudar uma desconhecida que se machucou. Continuar andando mesmo machucada. Gentileza simples, coragem simples. Mas que, de simplicidade em simplicidade, a gente vai tornando o mundo de outra pessoa melhor e seguindo em frente apesar dos pesares. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário