2 de maio de 2017

Resenha do livro: Holocausto Brasileiro


Autora: Daniela Arbex
Número de páginas: 255
Ano de lançamento: 2013
Editora: Geração Editorial
Classificação pessoal: 3/5

Essencialmente descritivo, "Holocausto Brasileiro" é um livro-reportagem escrito pela jornalista Daniela Arbex em que ela relata os horrores sofridos pelos pacientes de um dos maiores hospícios brasileiros: o Colônia, localizado na cidade mineira de Barbacena. Durante a maior parte do século XX, pelo menos 60 mil pessoas morreram neste hospital, sendo que a maioria tinha sido internada à força e cerca de 70% não tinham diagnósticos de doença mental. Sem nenhum tipo de fiscalização, eram submetidos ao campo de concentração brasileiro, como a escritora chama o local, quem era indesejado pela sociedade por inúmeros motivos que não por ter algum tipo de deficiência que impossibilitasse o convívio social. 
Desde o começo, fica claro que os dois principais objetivos de Daniela é fazer com que os leitores sintam-se indignados pela situação em que os internos ficavam durante sua estadia, às vezes eterna, no Colônia e reacender o debate sobre o tratamento adequado que o Estado precisa dar aos pacientes que possuem probelmas mentais. Usando de relatos de ex-funcionários, jornalistas, fotógrafos, médicos, psicólogos e até mesmo sobreviventes do hospício, a autora reconstrói os cenários de maus-tratos e condições sub-humanas que caracterizavam este local, deixando extremamente clara sua opinião por meio de sarcasmos e críticas explícitas. 
Como jornalista, esta leitura foi muito importante para que eu tomasse conhecimento desta mancha horrível na história brasileira, que eu desconhecia, e para aguçar minha curiosidade sobre como este assunto está sendo tratado atualmente no Brasil. Mas, para mim, estar diariamente em contato com tanta maldade e fotos deprimentes até o final da obra foi bem difícil, pois os relatos são, como eu disse no começo, bem descritivos. Claro, o objetivo era justamente este: chocar, indignar, entristecer. Por isso, minha principal crítica, na verdade, é apenas quanto ao fato de Daniela se colocar no meio do livro usando a primeira pessoa do singular, de uma maneira meio abrupta. Ou seja: você não espera que ela vai aparecer ali, do nada, pra contar um pouco do seu ponto de vista. Ela faz isso duas vezes e, particularmente, achei que podia ter separado uma seção apenas para sua experiência pessoal. 
Fora isso, admiro sua coragem de trazer de volta uma história que jamais pode ser enterrada, porque deve servir de lembrança constante para o governo sobre como não tratar quem precisa de ajuda. Cuidado, respeito e atenção apontam, sempre, para um caminho muito melhor. 

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