27 de setembro de 2017

Lady Gaga and me


Se você olhasse a minha biblioteca de músicas de quando eu tinha uns 13 anos, com certeza iria achar os principais hits da Lady Gaga. Sempre gostei de escutá-la. Porém, confesso que as roupas um tanto quanto excêntricas e alguns clipes um pouco perturbadores me impediam de acompanhá-la mais de perto. Mantinha a minha distância para dar atenção a outros cantores que, na época, combinavam mais com o meu estilo. 

Contudo, as coisas começaram a mudar neste ano. Primeiro, veio o Super Bowl. Eu sabia que ela iria se apresentar, mas não que eu ia ficar tão surpresa quanto eu fiquei, muito menos que eu iria assistir o show outras milhões de vezes durante o ano. Ela arrasou. Simples assim. Depois, veio as aparições de "cara e corpo limpo", deixando de lado as fantasias malucas. As revelações sobre a doença. As entrevistas sobre saúde mental. E, conforme Lady Gaga se mostrava e se abria para o mundo, mais ela me trazia pra perto. Sem aquele tanto de peças cobrindo-a, descobri uma mulher linda. Sem aquelas apresentações doidas, descobri uma artista pra admirar ainda mais. Ouvi "Joanne" (depois de todo mundo ter escutado, claro, porque se eu estivesse a par dos lançamentos da música, não seria eu) e "Million Reasons" virou um dos meus vícios. Não que antes ela não colocasse seu coração no que fazia. Mas, nesse CD, Lady Gaga colocou-se por completa. 

Acompanhei a contagem regressiva para o lançamento do documentário "Five Foot Two". Estávamos indo tão bem no nosso relacionamento, que eu queria mais. E eu tive. 

Em uma palavra, posso resumir o longa: descoberta. Você descobre porque a cantora usava suas roupas excêntricas e porque ela as abandonou por enquanto. Descobre a importância que a família tem para ela. Descobre a loucura de viver na pele de alguém famoso e todos os altos e baixos, excitação e desespero, grandes públicos e solidão. Descobre que talvez você também perderia a cabeça se tivesse um monte de gente encostando em você a todo momento e te pedindo coisas diferentes. Dá uma certa claustrofobia. Descobre o motivo dos artistas não estão sempre sorrindo e sendo os seres mais simpáticos do mundo. E descobre em Stefani Joanne uma mulher que está em constante crescimento e amadurecimento, e que tenta lidar com dores e sofrimentos físicos e psicológicos enquanto é observada por milhões de pessoas. 

Lady Gaga não é perfeita e quer deixar isso extremamente claro. Ela chora. Fica irritada. Brava. Tem momentos de chatisse. Mas ela mostra isso para o mundo, unindo todos os seus obstáculos pessoais ao desafio de simplesmente ser mulher. Em determinados momentos do documentário, tive vontade de abraça-la. De falar que tudo vai ficar bem. Que ela não está sozinha. Que ela é muito forte. E que os fãs de verdade vão entender porque ela precisou e precisa se afastar às vezes para cuidar de si mesma, e porque decidiu mudar seu estilo. 

É preciso muita coragem para expor seus momentos de maior vulnerabilidade. E mais ainda pra levantar a cabeça e mostrar que a vida segue e precisamos seguir junto. "Five Foot Two" é uma descoberta. E um aprendizado valiosíssimo. Vale cada minuto. 

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