7 de fevereiro de 2018

Resenha: A Forma da Água


Diretor: Guillermo del Toro
Elenco: Sally Hawkins, Doug Jones, Michael Shannon, Richard Jenkis, Octavia Spencer 
Duração: 2h03 
Classificação pessoal: 7/10


Certamente você deve pensar que "A Forma da Água", forte candidato a várias estatuetas do Oscar 2018 e sucesso completo em seu país de origem, merecia mais do que apenas um sete na minha classificação. Explico: não sou muito fã desse tipo de fantasia que envolve laboratórios e criaturas esquisitas. E talvez me falte, ainda, toda a sensibilidade dos grandes críticos de cinema de enxergar uma obra-prima em filmes como este. De qualquer forma, tenho que tirar meu chapéu para vários pontos desta produção de Guillermo del Toro, talvez itens que outras pessoas não destacariam, mas que me chamaram atenção.

Para mim, o romance entre Elisa (Sally Hawkins) e a criatura (Doug Jones) demonstra a busca constante de qualquer ser humano por alguém que te ame e te aceite, apesar de suas limitações. A moça se sente atraída pelo conhecido aquático porque, nas suas próprias palavras (ditas em linguagem de sinais, claro), ele não sabe o quanto ela é incompleta por não conseguir falar, e mais, a considera interessante. Logo ela, que vive em um mundo onde é uma simples faxineira, com dois amigos e uma rotina entediante. Ninguém precisa dela; até esta criatura aparecer e colocar sua vida nas mãos de Elisa. Não tem como você não se sentir tocado por isso; por mais bizarro que seja a atração física em si. 

No mais, o filme mostra um aspecto dos homens que sempre me irritou profundamente: o de pensar que todos os seres que não são humanos não merecem nosso respeito e cuidado. É assim na ficção e é assim na vida fora das telas. A verdade é que não é pra menos: se a gente não cuida nem mesmo um do outro, o que se dirá de criaturas que nem sabemos o que são, não é mesmo? (Uma crítica dentro de outra crítica). 

"A Forma da Água" incrementa o roteiro romântico e dramático com pitadas de comédia e tensão, que te mantém entretido mesmo que você, assim como eu, não goste desse estilo. Do lado negativo, gostaria que existissem explicações um pouco mais aprofundadas sobre a criatura em si, como o que ele é, porque foi capturado e algumas das suas características. Estas questões são mostradas, mas muito rapidamente. Talvez este não seja o foco, mas criou uma curiosidade, pelo menos em mim. Confesso que algumas cenas também me deixaram um pouco perturbada. 

Apesar disso, é um filme que vale a pena, sim, ser visto. Como eu disse anteriormente, se você tem mais sensibilidade para a arte cinematográfica, talvez consiga aproveitar até mais do que eu. 

Um comentário:

  1. Já vi muitas resenhas sobre essa história, não sei bem se faz meu estilo, mas confesso que estou ficando bem curiosa! haha
    E, às vezes, esses filmes que não se aprofundam muito em algumas explicações acabam fazendo isso intencionalmente para haver uma possível sequência. Talvez eles tenham feito isso, não sei...
    Muito boa sua resenha, parabéns!
    Florescer Palavras

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